Há um não de currículo.
Descartado, arquivado.
Há um não sem nome,
uma vaga
que nunca foi vaga,
só anúncio.
Uma mão soltou a outra.
Sem drama.
Essas coisas
acontecem
Em um dia qualquer.
O não do emprego
dói na alvorada,
quiçá no crepúsculo.
O do amor
dói mais,
e não escolhe hora.
Tem o não do "amigo"
que não avisa,
só some
aos poucos,
vira nome
que a gente evita dizer.
Ninguém bate na porta.
O não entra,
senta.
Não pede licença.
Não pede nada.
O mundo continua,
alheio,
como sempre.
E a gente,
por baixo de tudo,
teimoso,
querendo ouvir
uma palavra pequena:
sim.
Só porque, às vezes,
um sim
é a única luz
de um corredor
que a gente já decorou
de tanto andar no escuro.
E o adulto,
que tinha desistido
de ocupar
o menino que foi,
volta
a caber
em si.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 18 de agosto de 2026 00:25
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
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