Onde é meu lar?
Perdi meu nome
e, nos lugares por onde passei,
todos me conheciam como Ninguém,
tal qual Ulisses fingiu ser
para fugir da gula dos ciclopes.
Meus semideuses têm dois olhos,
munidos de indiferença e opressão.
Quando me davam um nome,
surgia o tempo de partir:
ali começavam a me preparar as formas,
os temperos, os gostos.
Mais um pouco de pressão
e eu estaria pronto para ser devorado.
Pego, então, o meu navio,
sem saber onde fica a minha Ítaca.
Parto sem olhar para trás,
sem saber se os mares terão sereias,
se encontrarei as ruínas de Troia.
Mas, enquanto eu puder ser Ninguém,
estarei protegido dos deuses.
Ser Ninguém é meu verdadeiro lar.
Então, brado à terra, ao vento e ao mar:
Meu nome é Ninguém.
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Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de agosto de 2026 13:05
- Comentário do autor sobre o poema: Não há porto seguro, além daquele que fica dentro do peito. Lá, não preciso ter nome.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
- Em coleções: Silêncios.

Offline)
Comentários1
Bonito... complicado mas, bem bonito.
Ser Ninguém é uma possibilidade muito interessante, mas como você bem notou, é complicado.Há uma necessidade de ser validado, o indivíduo é condicionado a isso. Não fujo à regra, mas não sou escravo dela. Então, em muitas situações diante dos meus monstros, eu assumo ser Ninguém... Enfim, pode ser apenas o meu Tico tacando pedra no meu Teco. Obrigado pela leitura e carinho de sempre... Abraços!
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