A Busca de Ninguém

Francisco Queiroz

Onde é meu lar?
Perdi meu nome
e, nos lugares por onde passei,
todos me conheciam como Ninguém,
tal qual Ulisses fingiu ser
para fugir da gula dos ciclopes.

 

Meus semideuses têm dois olhos,
munidos de indiferença e opressão.
Quando me davam um nome,
surgia o tempo de partir:
ali começavam a me preparar as formas,
os temperos, os gostos.
Mais um pouco de pressão
e eu estaria pronto para ser devorado.

 

Pego, então, o meu navio,
sem saber onde fica a minha Ítaca.
Parto sem olhar para trás,
sem saber se os mares terão sereias,
se encontrarei as ruínas de Troia.

 

Mas, enquanto eu puder ser Ninguém,
estarei protegido dos deuses.
Ser Ninguém é meu verdadeiro lar.

 

Então, brado à terra, ao vento e ao mar:
Meu nome é Ninguém.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de agosto de 2026 13:05
  • Comentário do autor sobre o poema: Não há porto seguro, além daquele que fica dentro do peito. Lá, não preciso ter nome.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 13
  • Usuários favoritos deste poema: Jcosta.
  • Em coleções: Silêncios.
Comentários +

Comentários2

  • Shmuel

    Bacana!

    A Odisséia inspirando sempre!

    Abraços

    • Francisco Queiroz

      Obrigado pelo visita, caríssimo

      Abraços

    • Jcosta.

      Cara adorei essa, do Tico tacando pedra no teco.
      As vezes, por ser ninguém e que passamos batido de onde não nos querem.
      Ficou porreta, parabéns.
      Abraços.
      JCosta

      • Francisco Queiroz

        Camuflagem é uma técnica muito boa para sobrevivência. São dias perigosos... Até o Tico tá querendo brigar com o Teco, hehehe!
        Abraços, amigo.
        Gratidão pela correspondência de sempre!
        Fiquem bem.



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