Boneca quebrada,
partida ao meio,
vazia e oca.
Imóvel no canto da sala,
como um objeto brilhante, feito para decorar.
Cheia de silêncios gritantes que tentam sair pela boca costurada.
Anestesiada repete “está tudo bem”, sempre está tudo bem.
Aprendeu a mentir nas suas primeiras palavras,
para proteger quem não devia.
Hoje desaprendeu a verdade,
para se proteger.
Estática, invisível, longe do escrutínio alheio,
Se ninguém ver, ninguém machuca
Engole veneno como saliva, se intoxicando,
acostumada com o sabor, desejando a dormência.
Na infinita lista de coisas que não sabe,
confiar, amar e pedir ajuda ocupam o topo.
Chora em silêncio, para não incomodar
Se mantém sempre na sombra, despercebida.
Porém, se ressente.
Ressente por essa ser a única forma de sentir.
Ressente que não tenham olhado para seus olhos,
que nunca escutaram além das suas mentiras.
Os sinais estavam ali,
escancarados para o mundo,
ninguém viu,
ninguém se importou o suficiente para olhar além das palavras.
Hoje sonha acordada, porque a realidade a esmagou,
comprimiu até não restar nada além de lascas soltas e rachaduras.
Mas não cai, mesmo que queira
se segura nas lascas soltas,
se mantém de pé, mesmo que sangrando, e sempre fingindo.
Fingir é seu território conhecido, é o que faz de melhor.
Performa até quando não tem audiência,
de tanto fingir não sabe mais qual é a realidade.
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Autor:
Gio Az (
Offline) - Publicado: 16 de agosto de 2026 07:48
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6

Offline)
Comentários1
Triste demais. Espero ser apenas o eu lírico se expressando.
Boa tarde e excelente final de semana!
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