Nevoeiro dos Sentidos

Ricardo Maria Louro

Os mortos dos meus mortos

trago nos sentidos,

num berço de saudade

os trago adormecidos.

Ai,saudade efemera sem paz

que vive em mim

pobre mortal de Deus nascido!

 

Minh'Alma sepultada

neste espesso nevoeiro

adormece os mortos

no frio dos meus sentidos,

mas se acordado

os sinto adormecidos,

despertam depois quando adormeço.

 

E em cada noite que me deito

liberto-me da matéria,

abraço-os, recordo-os...

Esvai-se o nevoeiro espesso

e numa imensidão aerea

sonho, acordo e adormeço.

 

RICARDO LOURO

"quasi madrugada"

 

(Sinto-me um TODO enquanto Alma singular quando atinjo o além-forma. É o extase total desta minha Humana existência...)

 

 



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.