ESTADO DE ALIENAÇÃO

Lucien Vieira

(Lucien Vieira)

Nasci.

Ganhei letras.

Cresci.

Tornei-me
números.

Sou bem
do Estado.

Me formei.

O que é
ser formado?

O meu destino
é meu alheio.

A rua
está possuída
por descidas —

sem freio.

Na minha casa
tu não entras

porque só tem
a porta
para o banheiro.

Não há
banheiro.

Estou
nuosso.

Não me olhe

porque sou
cru.

Hoje
esqueci
de refazer
o despenteado.

Estou
cheio,

mas
vazio.

Não me dobre,

senão
eu quebro.

Há atadura,

mas
o médico
sumiu.

Morri?

 

  • Autor: Lucien Vieira (Offline Offline)
  • Publicado: 13 de agosto de 2026 13:40
  • Comentário do autor sobre o poema: Poema filosófico-existencial, de caráter crítico, fragmentário e surrealista. O sujeito nasce pessoa, transforma-se em nome, número e objeto social, até chegar ao vazio existencial. Entre ironia, absurdo e fragilidade, o poema termina com a pergunta “Morri?”, sugerindo uma morte não necessariamente física, mas a possível perda do próprio eu.\r\n\r\n
  • Categoria: Surrealista
  • Visualizações: 2


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