Quando eu era criança, eu voava sem sair do chão,
fazia do impossível uma simples invenção.
Teletransportava os meus medos pra longe de mim, criava outros mundos onde a história não tinha fim.
Eu não conhecia o peso de ter que escolher, nem sabia que a vida podia me fazer esquecer.
Sonhar era tão fácil, bastava fechar os olhos, eu tinha o céu inteiro escondido nos meus sonhos.
Mas o tempo foi passando devagar,
e o mundo foi ensinando a gente a desejar.
Troquei meus castelos por coisas que o dinheiro compra,
até não reconhecer mais quem sonhava naquela sombra.
Sonha, menina, sonha outra vez,
mesmo que a vida te diga “talvez”.
Sonha bem alto, não deixa morrer
aquela criança que mora em você.
Se não imagina onde quer chegar,
como vai saber por onde caminhar?
Mesmo que o mundo te faça parar,
sonha, menina… ainda dá pra voar.
Fui crescendo e os sonhos mudaram de cor,
já não eram mundos, eram coisas, eram valor.
Uma profissão, uma casa, aquilo que eu não tinha,
e sem perceber fui me perdendo da menina.
Não sei se foi a mídia, as vozes ou o lugar,
ou esse mundo apressado que ensina a comparar.
Me disseram tantos sonhos que eu deveria querer,
que esqueci dos meus próprios antes mesmo de os viver.
E um dia o silêncio tomou o lugar,
não havia mais sonho, nem vontade de sonhar.
Eu seguia os meus dias sem saber por quê,
vivendo no automático, esquecendo de viver.
Sonha, menina, sonha outra vez,
mesmo que a vida te diga “talvez”.
Sonha bem alto, não deixa morrer
aquela criança que mora em você.
Se não imagina onde quer chegar,
como vai saber por onde caminhar?
Mesmo que o mundo te faça parar,
sonha, menina… ainda dá pra voar.
Então uma noite eu sonhei com alguém,
uma senhora que parecia me conhecer tão bem.
Ela me olhou com os olhos cansados
de quem carregava futuros não realizados.
E disse baixinho, quase a sussurrar:
“Volta a ser criança, volta a imaginar.
Sonhe com aquilo que parece impossível,
porque sem um destino, nenhum caminho é visível.”
Eu acordei com o coração apertado,
tentando entender aquele recado.
Até que percebi, entre lágrimas e silêncio:
aquela senhora era o meu próprio tempo.
Sonha, menina, sonha outra vez,
mesmo que a vida te diga “talvez”.
Sonha bem alto, não deixa morrer
aquela criança que mora em você.
Se não imagina onde quer chegar,
como vai saber por onde caminhar?
E se a vida te ensinou a desacreditar,
fecha os olhos…
e lembra como era voar.
Talvez aquela senhora não fosse do futuro,
talvez fosse a menina escondida no escuro.
Aquela que eu abandonei tentando sobreviver,
e que voltou só pra me ensinar
que sonhar também é viver.
Então, enquanto houver céu dentro de mim,
eu vou sonhar com lugares sem fim.
E se um dia eu esquecer como se faz,
que a menina dos meus sonhos
me encontre uma vez mais.
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Autor:
dlily (
Offline) - Publicado: 12 de agosto de 2026 23:34
- Comentário do autor sobre o poema: Esse poema escrevi após ter passado por um momento muito difícil, onde recebi a visita do meu eu futuro, me acolhendo para não desistir de viver.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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