A manhã estava gelada, dessas que pedem silêncio e introspecção. Envolta no roupão, passei meu café devagar, como quem tenta prolongar o tempo. O cheiro quente subia em contraste com o frio do dia, mas não era suficiente para aquecer o que faltava aqui dentro.
Sentei de frente com a saudade.
Segurei a xícara entre as mãos, buscando algum conforto, e perguntei quase num sussurro:
— Por quanto tempo você pretende ficar?
Ela me olhou com calma, como quem já sabe a resposta há muito tempo. Pensou por um instante e disse:
— Isso depende de você. Até quando vai se perder no que poderia ter sido? Até quando vai implorar, em silêncio, pelo calor do corpo dela outra vez?
Engoli seco. Aquelas palavras pesavam mais do que o próprio frio.
Ela continuou, suave, mas firme:
— Eu posso ir embora a qualquer momento… mas você precisa me deixar ir.
Fiquei em silêncio.
O café, esquecido, esfriava na xícara. E eu, ali, parada no tempo, apenas concordava em silêncio com a saudade.
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Autor:
May Darling (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de agosto de 2026 10:02
- Categoria: Não classificado
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Offline)
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