respiras por artifício
— existes
quase nada
quase alguma coisa
o marisco na rocha
não escolheu a fenda
mas agarra-se
com a substância cega
do que não sabe ser coragem
hábito é o nome humilde
da permanência
continuar
não é virtude
é o único gesto
antes do silêncio
e no entanto
que estranho esplendor
nesta condenação lúcida
— estar aqui
sem porquê
aberta
como uma ferida que canta
o êxtase chega assim:
tarde demais
quando já caíste
e a queda
por um instante
parece voo
recordar é morrer
de novo
esquecer é morrer
sem testemunhas
por isso pulas
sobre os destroços
com a embriaguez exacta
de quem sabe
que o absurdo
não exige redenção
só uma certa elegância
ao despedir-se
entre duas marés
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 9 de agosto de 2026 20:17
- Comentário do autor sobre o poema: Não prometo domar meus demônios amanhã. Nem depois. Aqui, nunca voaremos.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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