A Sutileza do Inevitável

Líria



Há encontros que acontecem por acaso
e permanecem por insistência.

Como certas flores
que ninguém plantou,
mas que, ainda assim,
encontram uma fresta entre as pedras
e decidem nascer.

Talvez tenha sido assim.

Uma coisa pequena,
quase imperceptível,
escondida entre conversas,
risos demorados
e silêncios que nunca pareceram vazios.

Não havia promessa alguma.

Nenhum presságio.

Apenas duas pessoas
caminhando lado a lado
sem perceber
que os caminhos já começavam
a se confundir.

E o tempo,
esse velho cúmplice das coisas que não dizemos,
foi deixando sinais pelo caminho.

Um olhar que demorava mais que o necessário.
Uma proximidade que já não parecia acaso.
A vontade de permanecer
mesmo quando não havia motivo.

Chamamos de brincadeira
porque era mais fácil.

Algumas verdades assustam
quando ainda não sabemos
onde colocá-las.

Então deixamos que crescessem
sem nome,
sem promessa,
sem sequer admitir
que estavam crescendo.

Até que um dia
já não era possível distinguir
onde terminava a amizade
e onde começava qualquer outra coisa.

Talvez certas coisas
não precisem ser compreendidas.

Talvez existam sentimentos
que perdem a beleza
quando tentamos aprisioná-los
em uma palavra.

Por isso,
não vou dar nome ao que nasceu.

Vou apenas deixar que exista.

Como uma flor entre as pedras,
como a lua refletida na água,
como aquilo que chega devagar
e, quando percebemos,

já criou raízes
em algum lugar
que nem sabíamos
que estava vazio.

  • Autor: Isabelly.B (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de agosto de 2026 18:52
  • Comentário do autor sobre o poema: Ps: musica preferida dela...
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 1


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