A INFÂNCIA GUARDADA EM MIM
As pedras de onde mergulhei
Estão lá.
As sombras onde ouvia o bem-te-vi ficaram longínquas
Não são somente sombras porque
O Sol continua no mesmo lugar.
Os canteiros se desmancharam para passar o betume negro.
Os homens não são mais os mesmos.
A preta velha com seu cachimbo não acorda mais as quatro da
manhã para pitar no seu fornilho após uma tragada na sua pinga queimada com cinzano.
O banco carcomido pelo tempo está lá parado parecendo dormir no passado sem nunca acordar.
O sol ainda desperta do mesmo lado mas não alonga-se mais com seus raios incidentes.
O estalar do chicote no lombo da tropa de burros carregando a pluma sedosa do algodão não tine mais.
O pão das quatorze horas não tem mais perfume.
A torrefação não expande mais seu cheiro de pó fresco de café.
A tardinha a catequese na sala de visita e no domingo a matriz reunia todos para missa.
A gravatinha de laço no pescoço era roupa de reza e o chiclete ping pong era prêmio de comportamento. Todas as figuras passaram mas a criança aqui dentro de mim continua apertada nas sombras das árvores, no banco da praça no pedra que me fazia mergulhar no velho açude, na catequese na sala de visitas e no coração da preta velha e seu rude cachimbo.
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Autor:
Carlos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 8 de agosto de 2026 12:46
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
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