E você — terá olhos de espera.
Eu serei a sede
que você não mata.
O pássaro passa
e não volta.
Meu cabelo escuro
na sua boca.
Amo você agora
que nada dura.
Seu corpo sabe
e se oferece
como quem mente.
Tudo vai.
Nós também.
Mas antes
me beija com língua
dúbia e sem futuro.
O absurdo é este:
querer você inteiro
sabendo que amanhã
serei só cinza
entre seus dedos.
Ou:
Sou apenas o instante
em que você desce
e me devora os olhos
como quem fecha um livro
sem ler o fim.
Fragmentos
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de agosto de 2026 13:08
- Comentário do autor sobre o poema: A verdadeira diversão é qualquer escuridão que consigo provocar.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Rogério

Offline)
Comentários2
Que texto maravilhoso!!!!
Vc é simplesmente fantástica!!!
Obrigada, Rogério... tu é um amor!
Por nada! É prazer ler seus lindos textos!
Há poemas que a gente lê e esquece. Este faz o contrário: fica ecoando depois da última linha. Gostei especialmente de como a efemeridade do desejo aparece sem dramatização excessiva, quase como uma aceitação inevitável. O fechamento obriga a voltar ao início, porque a sensação é de que ainda ficou alguma coisa pra ser dita.
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