Abro as Mãos

Ricardo Maria Louro



Abro as mãos ao mar sem fim,
como quem busca um sinal;
Mas levo a alma junto a mim
vaga, perdida num vendaval.

E os meus dedos invertidos
querem tocar no coração;
mas dos silêncios adormecidos
apenas tocam em solidão.

Cada onda traz cantando
Mil saudades, mil vendavais
De minha avó só vou lembrando 
O que já ninguém se lembra mais.

Só me apetece é ir embora
Não tenho porto nem luar;
Mas a esperança 'inda mora
No silêncio deste mar.

Se o destino aqui se esconde,
Que se revele por meu bem!
Dou um grito e o mar responde:
"Disso nunca foi capaz ninguém!"

 



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