Calabouço

Antonio Gomes

        Cantos e voz de peste,

        Aos rebentos inflamosos da procela,

        Rasga o fino tecido do celeste,

        Quanto é bom mirar sem ter janela.

 

        Quanto é velho o cárcere do sangue,

        De calabouço de orgulho e egoísmo,

        Que nos afunda aos poucos nesse mangue,

        Que vem nos dá um espelho no abismo.

 

         Ó império interminável de mortalhas,

         E de sangue evaporado na neblina,

         Desabando sempre em nós está muralha,

         Que começa sempre aonde nós termina.

 

          E ainda escuto longe as querubinas,

          E seu canto enroscar entre as vãos grades,

          Serpente da infindáveis matutinas,

          Ó vida, concubina de maldades.

        

  • Autor: Antonio Gomes (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de agosto de 2026 20:26
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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