Entre a Pressa e os Versos

Junior Silva

Ando em silêncio.
Não por falta de palavras,
mas porque a vida tem corrido
mais depressa do que os meus versos.

Os dias vestiram gravatas,
as horas aprenderam a falar em prazos,
e a rotina, tão exigente,
quase me convenceu
de que a poesia
não cabia na agenda.

Quase.

Porque, entre uma demanda e outra,
ainda encontro abrigo nas palavras.
Elas me recebem sem pressa,
costuram o que o tempo insiste em desfazer
e devolvem cor
aos dias feitos de concreto.

É curioso…

Quanto mais escrevo,
menos me perco de mim.
Cada verso abre uma janela,
cada metáfora faz florescer
o que a correria tenta apagar.

O dia chega ao fim.
O cansaço repousa sobre os meus ombros,
mas já não pesa.
Traz consigo a serenidade
de quem aprendeu mais um pouco,
de quem descobriu
que o conhecimento também floresce
no coração do caos.

Então compreendo:

A vida pode exigir formalidades,
mas a alma nunca assina
um contrato com o silêncio.

Ela sempre encontra um jeito
de transformar o peso em palavra,
o instante em eternidade,
e a rotina em poesia.

E, no fim, percebo
que não são os dias
que passam por mim.

Sou eu quem atravessa o tempo,
deixando versos
onde antes havia apenas pressa.

Porque viver
não é apenas cumprir horários,
mas encontrar,
em meio ao ruído do mundo,
um lugar onde a alma
ainda possa descansar
sobre a delicadeza
de um poema.

  • Autor: Jr.Silva (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de julho de 2026 22:06
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 5
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