Pacto

Ayalah Verônica Berg

 

A xícara fria
na mesa junto à janela,
que esqueci outra vez.
 
Esqueceste-me também,
na janela junto à mesa,
foste frio como a tempestade
de um início de tarde.
 
Mas quando a garoa cai
e o vidro embacia,
tua mão encosta
nos meus lábios.
 
A paisagem se desfaz
em lágrimas,
e tu olhas com saudade
o que não volta,
sussurras Verônica
e beijas Ayalah
como quem se despede
da promessa.
 
E eu sei que cair contigo
é um pequeno absurdo,
um êxtase cálido
que não pede sentido.
Amanhã direi: foi nada.
E esse nada continuará.  
  
   
Pacto 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de julho de 2026 10:31
  • Comentário do autor sobre o poema: ...quando o nada é tudo o que resta.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 11
  • Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Rogério, Gilberto C. S. Jr.
Comentários +

Comentários3

  • Versos Discretos

    Interessante texto. Parabéns pelas vívidas descrições. Fernando Pessoa diz que o poeta é um fingidor, mas acredito que aqui o sentimento não foi fingido, foi real. Dito isso, não sei quem é mais voraz Verônica ou Ayalah.

    • Ayalah Verônica Berg

      Será mesmo que não estamos fingindo?

      "Sou implacável em minhas mentiras." – Verônica Berg

    • Rogério

      Nossa! como vc escreve bem! Amo seus textos!!

      • Ayalah Verônica Berg

        Obrigada, Rogério, tu é um amorzinho! Obrigada por ler e comentar.

        • Rogério

          Amo seus poemas!!

        • Francisco Queiroz

          Qual a diferença entre o nada e o tudo?

          Na minha humilde opinião os dois se encontram nas bordas...

          Como sempre ficou impecável.

          Abraço



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