Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
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Não importa o que és, o que eu sou,
Duas estrelas no céu perdidas,
Fruto maduro, maçã proibida,
Presa no galho que já tombou!
Não importa de onde vens, onde estou,
Duas almas, corpos em festa...
Duas vidas e o que nos resta?
Num existir que a sombra levou?
Vivo a desvendar cantos e luas...
A sorver o mel da boca tua,
Céus e Terra movendo em liberdade;
Vives a conter sonhos avulsos...
Em breves acenos, abraços confusos,
Num leve sorriso de dor e saudade!
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Autor:
Vilma Oliveira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 30 de julho de 2026 19:44
- Comentário do autor sobre o poema: Uma breve análise deste soneto: NÃO IMPORTA... Quando o eu lírico diz Não importa o que és, o que eu sou ou de onde vens, onde estou, a psicologia nos mostra o oposto. Importa sim, e importa tanto que precisa ser verbalmente anulado. Há uma barreira social, moral ou geográfica explícita entre os dois. A negação é o escudo para que o amor possa existir, mesmo que apenas no plano ideal. Ao apagar as identidades (o que tu és / o que eu sou), os amantes buscam a individuação na totalidade. Eles deixam de ser pessoas no mundo real para se tornarem Duas estrelas ou Duas almas. É o ápice do sentimento romântico: a busca por ser um só para esquecer a solidão do mundo. A imagem do Fruto maduro, maçã proibida introduz a psicologia da culpa. É um amor que sabe que transgride alguma regra. O detalhe psicológico mais doloroso está no verso Presa no galho que já tombou!. O eu lírico tem plena consciência de que essa paixão está ligada a algo que já caiu, que já ruiu ou que não tem sustentação no tempo. Há um tom de fatalismo: eles amam sabendo do fim. Os tercetos revelam uma dinâmica psicológica clássica de relacionamentos intensos, onde os dois envolvidos reagem ao mesmo sentimento de maneiras opostas. Aqui vemos um claro contraste de perfis emocionais: O Eu Lírico (O Perfil Expansivo/Ansioso): Vivo a desvendar cantos e luas... /Céus e Terra movendo em liberdade. Emocionalmente, o eu lírico se entrega sem reservas. Ele busca o movimento, a imensidão, o absoluto. Diante do amor proibido, a reação dele é lutar e expandir, desafiar as leis físicas (mover céus e Terra) para viver aquela liberdade, mesmo que temporária. O ato de sorver o mel mostra uma sede de viver o presente intensamente, antes que o galho termine de cair. O Ser Amado (O Perfil Contido/Imitativo): Vives a conter sonhos avulsos.../ Em breves acenos, abraços confusos. O Tu psicológico reage de forma oposta: pelo recolhimento e pelo medo. Ele precisa conter os sonhos porque o desejo o assusta ou o machuca. Os abraços confusos e breves acenos retratam a hesitação. É a pessoa que quer se entregar, mas cujos mecanismos de defesa travam o corpo e o gesto. Há um conflito interno dilacerante entre o querer e o poder. O Sentimento Agridoce (O Fechamento) O soneto culmina na belíssima e dolorosa fusão psicológica do último verso: Num leve sorriso de dor e saudade! .O Sorriso: É a aceitação do afeto, a beleza do momento vivido, a gratidão por aquela conexão cósmica de duas estrelas. A Dor e a Saudade: É o preço emocional pago por esse amor. A dor da impossibilidade e a saudade antecipada (ou real) de algo que não se pode reter. Psicologicamente, o poema não busca um final feliz clássico, mas sim a validação da intensidade. Ele conclui que a beleza de um sentimento não é medida pela sua duração ou aprovação do mundo, mas pela profundidade com que ele ecoa na alma de quem o vive.
- Categoria: Não classificado
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- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz

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Comentários2
Achei bonito... amei!
Parabéns pelo poema.
Poema lindo demais! Essa mistura de intensidades ficou excelente. Puro sentimento!
Abraços Poetisa!
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