Viviam no meio do nada
da cortina que o vento empurrava
e a visão distorcida de forma temporária
O acordar com o silêncio e a paz que reinava
Sempre trazia consigo uma inquietação
"É, não há mesmo mais nada."
Pouco depois, risadas, gargalhadas;
Brincavam na rua os vizinhos da outra casa.
Não era nem 8 horas da manhã.
Passou o dia preocupada com o que cozinharia no almoço.
Galinhada.
Sentava-se no divã enquanto esperava os próprios filhos, que depois se juntaram com os vizinhos
"Não há mesmo mais nada?"
Suspirava.
Depois do almoço, a preocupação era o que iria cozinhar na janta.
"O que é que o agrada?"
Pensou hoje, como se já não soubesse de mais nada.
Colocou o passatempo, o livro, de volta na estante
Pensou sobre o marido: "Não o conheço".
Aos filhos olhavam com distância.
"Ah, esse tédio constante ainda me mata!"
É a vontade de viver que me faz querer morrer.
Depressiva se depreciava.
"Me culpo por não mais querer."
A paz entediante.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.