Eu sonho em voltar para a vida de antes,
Sem tanta correria, sem vida ofegante
Ouvir o canto do mundo de verdade,
Longe da pressa e dos agitos da cidade.
O canto dos pássaros lá no terreiro,
O grilo tocando seu som costumeiro,
O mugido da vaca, o latido do cão,
Tudo em sintonia com o meu coração.
Quero sentir de novo aquele cheiro bom,
De mato molhado, de chuva no chão,
De flor no caminho, de fruta madura,
De terra viva, da vida pura, da emoção.
Sair do concreto, do asfalto quente,
Do barulho frio, da luz estridente,
Andar descalço na relva orvalhada,
Com alma leve, com gargalhada
Sentir a brisa no meu peito, sem camisa, sem pudor,
Deixar o corpo livre, sem vergonha, sem favor,
Fechar os olhos, abrir o peito,
E reencontrar ali o meu jeito.
Na natureza, o silêncio é canção,
É som de bicho, é respiração,
É tempo que passa sem obrigação,
É a calma que entra sem permissão.
Ah, se eu pudesse me mudar para lá,
Para o meio do mato, do céu, do luar,
Ouvir a vida no seu tom mais baixo,
E esquecer o peso de tanto esculacho
Porque é lá, na simplicidade do chão,
Que mora a paz, que vive o irmão,
E ali, quem sabe, eu me encontraria,
Na doce voz da natureza, todo dia.
E quando a tarde beijar o arvoredo,
Hei de esquecer todo o meu antigo medo;
Serei apenas um homem a respirar,
Sem relógio mandando, sem tempo a cobrar.
Pois descobri que a riqueza da vida
Não mora na estrada longa e corrida,
Mas no instante singelo que o coração acolhe,
Onde a natureza me chama e a paz me escolhe.
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Autor:
Brendon Leão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 29 de julho de 2026 07:36
- Categoria: Natureza
- Visualizações: 2

Offline)
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