Na ligação, tal espera,
de ouvir tua voz primeira,
voz que o silêncio levou,
mas que em meu peito ficou inteira.
Quero ouvir aquela voz,
não qualquer som passageiro,
mas a voz que em mim repousa
como um canto derradeiro.
A voz talvez tenha partido,
mas tua essência não partiu;
teu nome ainda habita em mim,
a lembrança não dormiu.
Tua pessoa existe ainda,
embora distante de mim;
és presença na memória
e ausência que não tem fim.
Viver preso à tua imagem,
sem poder tornar a vê-la,
é como abraçar a névoa
e sangrar por uma estrela.
E percebo, nesta mágoa
que me fere sem clemência,
que talvez eu não deseje
a mulher, mas tua essência.
O que foste em meus delírios,
o que vi em teu olhar,
o sonho que construí
sem jamais o alcançar.
Por que é tão difícil enxergar
quem tu és, sem fantasia?
Por que o coração insiste
em negar o que anuncia?
Chances, chances, tantas chances
de te ver, te ter, sentir;
ou talvez eu as tivesse
e as deixasse sucumbir.
Desperdicei teus instantes
como areia entre os dedos;
hoje coleciono ecos,
arrependimentos e medos.
Por que erro neste amor
que me prende e me consome?
Neste nó que aperta a alma
e transforma o sonho em fome?
E assim sigo, noite adentro,
entre a esperança e a dor,
ouvindo uma voz ausente
no eterno nó do amor.
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Autor:
Yaimara Díaz Morales (
Offline) - Publicado: 28 de julho de 2026 13:39
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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