Cabine

Yaimara Díaz Morales

Na ligação, tal espera,

de ouvir tua voz primeira,

voz que o silêncio levou,

mas que em meu peito ficou inteira.

 

Quero ouvir aquela voz,

não qualquer som passageiro,

mas a voz que em mim repousa

como um canto derradeiro.

 

A voz talvez tenha partido,

mas tua essência não partiu;

teu nome ainda habita em mim,

a lembrança não dormiu.

 

Tua pessoa existe ainda,

embora distante de mim;

és presença na memória

e ausência que não tem fim.

 

Viver preso à tua imagem,

sem poder tornar a vê-la,

é como abraçar a névoa

e sangrar por uma estrela.

 

E percebo, nesta mágoa

que me fere sem clemência,

que talvez eu não deseje

a mulher, mas tua essência.

 

O que foste em meus delírios,

o que vi em teu olhar,

o sonho que construí

sem jamais o alcançar.

 

Por que é tão difícil enxergar

quem tu és, sem fantasia?

Por que o coração insiste

em negar o que anuncia?

 

Chances, chances, tantas chances

de te ver, te ter, sentir;

ou talvez eu as tivesse

e as deixasse sucumbir.

 

Desperdicei teus instantes

como areia entre os dedos;

hoje coleciono ecos,

arrependimentos e medos.

 

Por que erro neste amor

que me prende e me consome?

Neste nó que aperta a alma

e transforma o sonho em fome?

 

E assim sigo, noite adentro,

entre a esperança e a dor,

ouvindo uma voz ausente

no eterno nó do amor.

  • Autor: Yaimara Díaz Morales (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de julho de 2026 13:39
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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