“Carne”

Lunix.L

Estou na festa,
a mesa cheia,
carne pra todo lado...
corpos servidos,
prontos,
temperados pro olhar de qualquer um.

 

A carne treme.
É fresca.
É bonita de longe.
Mas meu estômago
não chama isso de fome.

 

Eu não como com os olhos.
Preciso do nome primeiro,
da história antes do abate,
do tempo que levou
até virar isso
que tremula na mesa.

 

Só depois
o corpo vira gente.
Só depois
a gente vira intimidade.
Só depois
a fome chega...

 

Não de repente,
mas devagar,
lenha por lenha,
até virar brasa
que não se apaga fácil.

 

Aí a carne
deixa de ser carne.
Vira comunhão.
Vira o único prato
que eu quero
sentar
e comer
até o fim.

 

By Lunix.L

  • Autor: Lunix.L (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de julho de 2026 06:33
  • Comentário do autor sobre o poema: O poema utiliza uma linguagem e imagens intensas para representar a demissexualidade em sua essência simbólica...
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
  • Em coleções: Íntimos.


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