Ricardo Maria Louro O Conde d'Almamorta

Ricardo Maria Louro



Ergue-se Almamorta em negra sorte,
Ser sem luz, de sonhos em vão, desfeito;
não vence pelo engenho ou bom conceito,
mas pelo vão rumor que abraça a morte!

 

Porém, esse Louro de estranho porte
ainda traz amor dentro do peito
tem por brasão o verso insatisfeito
que à sombra opõe da vida o sol mais forte.

 

Faz pena! Não busca a luz só a fria fantasia!
Traz dolo no coração,  por vida, por castigo
e faz das tempestades uma eterna poesia.

 

Se Almaviva venceu por graça e riso
com Fígaro rompendo a grande tirania
Almamorta é apenas seu avesso impreciso!

 

(Soneto inspirado na Opera o Barbeiro de Sevilha de Rossini onde me senti o avesso daquele eterno personagem o Conde d'Almaviva.)



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