Noite soturna, ventos vilões
Em Saint-Denis, 1332
O céu, pincelado de um cinzento envergonhado
Alberga inúmeros serões
Dá-se então que numa casa pequena
Se reúnem os mercadores da cidade
Grande alvoroço, bocas vociferantes
Mas uma lá se destacou das restantes:
"Meus caros, vamos lá compreender
Eu sou pobre, ele é pobre, nós somos pobres...
Que havemos nós de fazer?
Não quero um castelo, digno de rei
Sonho distante, não o tentarei
Só quero dinheiro, p’ra comer e beber
O necessário
P’ró meu filho viver"
"Peguemos num barco, e assaltemos Inglaterra,
O povo além do mar"
Berrou Pierre Tricherra, que nunca gostou de trabalhar
…
Costa inglesa, sonho medieval
Frades imundos, o bem e o mal
Mulheres trajadas, conforme o normal
Fora da lei sem escrúpulos, uma selva total
E então, foi não sem algum prazer
Que os homens franceses
Roubaram ingleses
Até mais nada haver
…
Noite assustada, ventos chorões
Em Saint-Denis, 1332
O céu, inundado de um preto escuro
Dá lugar a inúmeros serões
Na grande mansão de Pierre Tricherra
Come-se à grande e “à francesa”
Uma voz assume-se,
Levantando-se sobre o resto da mesa:
"Meus caros, vamos lá compreender
Eu sou rico, ele é rico, nós somos ricos
Isto sim é viver!"
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Autor:
António Carmo (
Offline) - Publicado: 23 de julho de 2026 11:40
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 0

Offline)
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