De qualquer maneira

J. Miller

 

De qualquer maneira

Sinto meus braços

Jogados no ar

Como uma estrela

No enorme céu

Que tentasse pegar.

 

De qualquer maneira

Eu consegui me abrir

Mas ainda com medo de chorar

E é sempre besteira

Guardá-lo no peito

Como forma de fazer passar.

 

De qualquer maneira

Eu vejo que o que eu sinto

Não é amor...

Mas isso é uma maneira

De não ter mágoas

E de sofrer sem sentir dor.

 

De qualquer maneira

Eu penso: “Realmente,

Eu até sirvo para alguma coisa”

E que toda essa sujeira

É só a fraqueza

Que tem qualquer pessoa

 

De qualquer maneira

A vida parece me envolver

Querendo em abraço...

 

                            Mas me ver espalhado

              Num chão rabiscado

                                                  Com a boca aberta

Os olhos em alerta

              Tentando dizer

                                   O que me faz sofrer

Assim...

 

De

          qualquer

      ma-

             nei-

     ra.

 

J. Miller

  • Autor: J. Miller (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de julho de 2026 12:36
  • Comentário do autor sobre o poema: Outro poema que escrevi durante a adolescência. Reflexões sobre sentir as coisas de maneira intensa em um mundo que não se importa e então esconder com uma mascara de despretensão.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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