No eixo do mundo, onde a física se curva e o tempo dissolve sua rigidez, opera-se o mais antigo dos mistérios. Ali, no limiar exato entre a geometria sagrada e o delírio dos sentidos, ergue-se a arquitetura de um movimento que desafia a inércia do universo.
Não se trata do bater de asas de um astro, tampouco da oscilação pendular que mede as horas. É uma dança de tensões e relevos, um moto-contínuo que consome o espaço ao redor e o reconstrói em ondas de puro calor. O ritmo é implacável: desce com a precisão de um teorema milimetricamente calculado e sobe com o ímpeto indomável de uma maré viva, que a tudo invade e submerge.
Nesse vaivém de carne e presságio, as leis da gravidade são suspensas e reescritas pelo suor. A pele tenciona-se qual pergaminho antigo sob o fogo, esticando-se na exata medida em que o fulgor se intensifica. Há um fôlego suspenso, um arquejar que pontua cada ciclo como a respiração do próprio cosmo. O eixo oscila, ora freando com a lentidão voluptuosa de quem saboreia o abismo, ora precipitando-se com a fúria cega de um meteoro que reencontra sua órbita.
É uma marcha sem pés, um caminhar estático que devora distâncias invisíveis, galopando sobre a crista da volúpia. Cada recesso desse balanço é uma pergunta sem resposta; cada avanço, a posse momentânea do infinito.
Até que, no ápice do trânsito, o véu da metáfora se rasga e revela o segredo guardado no centro da gravidade:
São os teus quadris, soberanos e exultantes, movendo-se na sela invisível do prazer, a cavalgar o mundo.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 22 de julho de 2026 12:01
- Categoria: Erótico
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