Há trinta anos atrás
tinha trinta anos a menos
trinta rugas a menos
trinta velórios a menos
e um punhado de sonhos a mais
Há trinta anos atrás
o agora de hoje era distante
o passado não era tão longe
havia ainda espaço para mudar muita coisa
e corrigir algum dos meus diversos pecados
Há trinta anos atrás
o que eu conhecia dos trinta anos a mais
era o que tinha lido em livros didáticos
assistido em fitas de filmes alugados
ou acompanhando certos personagens literários
Há trinta anos atrás
o arco-íris era menos desbotado
e eu tinha o mesmo medo de barata
que continuo trazendo nos trinta anos
que vieram após trinta anos atrás
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Autor:
joaquim cesario de mello (
Offline) - Publicado: 21 de julho de 2026 19:19
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 12

Offline)
Comentários1
Boa noite caro poeta Joaquim Cesário! O eu lírico quantifica o tempo não apenas em anos, mas no impacto físico e emocional deles: menos rugas, menos perdas (velórios) e mais esperança (sonhos). O poema capta perfeitamente como a nossa percepção do tempo muda. O futuro (o agora de hoje) parecia distante, e o passado ainda estava perto o suficiente para permitir correções e novos caminhos. A terceira estrofe destaca a inocência da juventude. A velhice e o futuro eram conceitos abstratos, conhecidos apenas por livros, filmes alugados (uma bela marca temporal da época) ou personagens. O Arco-íris Desbotado e a Essência: O fechamento mostra o desgaste inevitável que a realidade traz ao mundo (arco-íris menos desbotado). Porém, há um toque de humor e vulnerabilidade ao confessar que, apesar de tanta bagagem acumulada, o medo infantil de barata permanece intacto. Parabéns peço poema! Meu abraço poético.
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