GAIA
Eu vi quando Gaia sorriu,
no instante em que deu à luz a vida.
Aí Gaia abriu-se em flores
e viçou.
O sangue de suas veias era puro.
Amava.
Apaixonava-se.
Gaia era verde e azul.
Era feita de luz.
Não sofria,
não chorava.
Cantava…
Apenas cantava.
Gaia era moça,
donzela intacta.
Ninguém profanava
a sua beleza,
mesmo sendo caudaloso
o corpo que carregava rios,
mares
e mistérios.
Mas um dia…
O templo que era Gaia
escondeu-se
na neblina ácida
que escapava
das torres erguidas
sobre as colinas.
Gaia calou a voz.
Gaia fechou os olhos.
Gaia chorou de dor.
Secou o caule da flor.
Suas veias obstruíram-se.
Seu sangue,
antes cristalino,
escorreu sem cor
sobre pedras sem musgo,
até endurecer,
transformando-se,
também ele,
em pedra.
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Autor:
Carlos (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 19 de julho de 2026 16:21
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8

Offline)
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