O PARADOXO DO ERRO E DO ACERTO

Lucien Vieira

(Lucien Vieira)

 

Errar, que impele a compreender algo que nos contradiz ideologicamente, talvez seja melhor caracterizado como o avesso do acertar. Entretanto, tal discernimento é algo de natureza profundamente abstrata, de complexo acompanhamento, que exige um passo além do simples ver. Exige, portanto, a visão privilegiada do enxergar...  

 

Logo, acompanhando esse pensamento, o acertar, que poderia ser a manutenção ideológica do pensamento, é, quem sabe, o indício de um possível errar ainda não percebido. 

 

Naturalmente, há inúmeras variáveis que, postas à mesa, ajudam a esclarecer esse contexto. A configuração, por exemplo, do que é pretérito e do que é presente, entre tantos outros, no modelo do espaço-tempo no qual estamos inseridos, que, por sua vez, influencia nossas personas culturais, seria uma explicação. 

 

Ou seja, enquanto, politicamente, um determinado nicho de cidadãos se identifica com os ideais capitalistas, espontaneamente outros defenderão, concomitantemente, as causas socialistas. E isso não necessariamente recomenda que uns e outros estejam adequados ou equivocados. Simplesmente, por razões diversas — como já mencionado —, o direcionamento comportamental os encaminhou a tal posicionamento.  

 

Por nexo, nenhum pensamento, em teoria, está dissociado de um ponto de observação adequado. Isto é, cada pensamento se reproduz a partir de um referencial próprio. O que eventualmente ocorre, portanto, nesse sentido, são visões particulares afloradas, adquiridas pelo contexto de convivência. 

 

Logo, discuti-las como absolutas e, sobretudo, contendê-las de maneiras provocativas seria, em tese, a ausência mínima de discernimento.

 

Entretanto, esta é tão-só uma conjectura que define o meu pensamento. Logicamente, e por isso vos envio o meu mais contundente respeito, a sua eventual apreciação contrária é, decerto, de grande valia.        

 

  • Autor: Lucien Vieira (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de julho de 2026 08:09
  • Comentário do autor sobre o poema: Ensaio filosófico / texto argumentativo reflexivo. O texto propõe uma reflexão filosófica sobre a relatividade dos conceitos de erro e acerto. A ideia central é que não existe verdade absoluta nesses julgamentos, pois eles dependem do contexto histórico, cultural e ideológico de cada indivíduo.
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3


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