O Que Me Basta (?)

Garotameiodoce

Ao mesmo tempo que me sinto tão rasa sobre mim, me sinto também em algum lugar, profunda demais.

As pessoas não voltam igual as formigas na minha mesa.
Tenho ódio imenso desse meu aperto no peito constante pela vontade incessante de ter um acalento de Outro. E tenho ódio imenso de dizer tantos ‘’mas’’.

Sempre encontrando porém’s, sempre pontuando outra coisa por cima da coisa, tão previsível.

Parece que nada me basta, mesmo que eu me aconchegue facilmente quando e onde não deveria.
É que o que faço ainda não me faz eu, não sei como fazer eu, muito menos naquilo que faço, mesmo que digam o contrário.
Nunca sei se estou reconhecendo algo em mim ou apenas imaginando demais.

Meus encontros comigo me parecem genéricos, algo quer me dizer que minhas alegrias sinceras são genéricas pois não é alegria minha Carol, é apenas alegria.
Isso quando ainda se é alegria
Meu sorriso é um serzinho de pouco cuidado e sempre desliza pra baixo.

Tenho me perguntado o que basta pra mim, por que parece que nada me basta.
Estou cada vez mais inquieta e doente conforme minha psicologa ainda não me confirma meu problema. Quero reconhecer algo concreto em mim, além do meu choro, pouco concerto, muito liquido, se não inundar pra fora petrifica meus olhos, choro esse que as vezes também questiono sua índole, índole minha, se tenho nome sujo nesse registro de existência dolorosa.
Tentando invalidar
Tentando me achar
Tentando me bastar

Eu amo cantar, detesto que me escutem cantar ou se quer falar. Meu canto é segredo.
Odeio me ouvir falar, odeio lembrar como estão escutando minha voz.
Eu amo cantar, e particularmente amo ouvir meu canto, detesto que me escutem cantar.
Meu canto é segredo.
Ariel, pequena sereia
Me reconheci em algo, me reconheci como a Úrsula da minha Ariel;
Por que quando falava com ele, o tom de voz aumentava
Por que quando falava com ele, as palavras voltavam como facões em mim
Ele: Águia vigia, não me deixa escapar ou brotar em nenhuma quina.
Por que quando ele terminava de gritar, quando meu choro ja havia se alojado na garganta, ele ordenava que eu usasse minha voz.
Minha voz já roubada a muito tempo por berros, ainda roubo ela de mim.
Escondo por algum canto veludo ou espinhoso conforme for o meu ouvinte
Conforme me julgar minhas palavras.
Minhas palavras não te bastavam, meu silêncio também não.
Nada me basta até então.
Não me deixando escapar,
Não me deixando transbordar,
Não me deixando invadir,
Não me deixando pertencer,
Não me deixando nascer,
Não me deixando escapar ou brotar em nenhum grão.

Tão profunda dentro de mim, tão rasa sobre mim
Queria me aprofundar nas minhas águas rasas
As vezes, o que me basta está aonde ainda dá pé.

Só por hoje, queria o raso
No fundo é muito escuro, muito sozinho, sua voz não é escutada e não se pode transbordar.

  • Autor: Sol (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 19 de julho de 2026 01:31
  • Comentário do autor sobre o poema: Fluxo de consciência
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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