A minha prisão

May Darlin

Me sinto presa dentro de mim.

Não é metáfora bonita — é sufoco mesmo.

 

Carrego tudo à flor da pele: traumas, lembranças, feridas que nunca cicatrizaram direito.

Tudo vive aberto, latejando, como se meu corpo fosse pequeno demais pra tanta coisa.

 

Às vezes parece que minha pele vai rasgar.

De verdade.

Como se não fosse mais capaz de segurar o que grita aqui dentro.

 

E o pior é que, mesmo assim, eu ainda quero.

Quero sentir.

Quero amar.

Quero me sentir viva de um jeito que não doa.

 

Queria que alguém me olhasse sem desviar.

Que visse os detalhes — os mais difíceis, os mais bagunçados —

e ainda assim tivesse vontade de ficar.

 

De entrar.

De me atravessar sem medo.

 

Porque eu me escondo.

Atrás de uma armadura que eu mesma construí pra não quebrar de novo.

Atrás das minhas tatuagens, das minhas respostas prontas, da minha força ensaiada.

 

Mas por dentro…

por dentro tem alguém morrendo de medo.

 

Medo da própria intensidade.

Medo de sentir tudo de novo e não sobreviver ao que vem depois.

Medo de ter o coração despedaçado mais uma vez…

em pedaços tão pequenos que eu não consiga juntar sozinha.

 

Eu fui ensinada a aguentar.

A engolir.

A não sentir demais.

 

A ser forte o tempo todo.

 

Mas ninguém nunca contou que essa tal força

é só o nome bonito que dão pro medo.

 

Porque eu tenho medo.

Muito.

 

E, ainda assim…

eu queria sentir.

 

Mesmo que me destrua.

Eu queria sentir de novo.

  • Autor: May Darlin (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de julho de 2026 11:16
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 1


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