9/07/2026

Aurora Hortense

Deus, porque me abandonaste? 

Não quero batalhas que não pedi.

Não quero ser soldado numa guerra onde não me alistei. 

Porquê? Porquê? Porquê?

 

Por que sinto que nao me encaixo?

Por que sinto que não pertenço aqui?

Por que me deste este cálice?

 

Afasta de mim este cálice!

Devolve-me a inocência que nunca tive.

Devolve-me a paz que nunca senti.

Devolve-me tudo o que não fui desde o primeiro folgo e choro de vida.

 

E confiar? Ninguém fala no confiar.

A confiança não existe, 

A compreensão é ilusão.

O compreender, e repito para melhor entranhar,

O compreender… não é tese bondosa, real assim.

 

Percebem? Sim. Aparentemente.

Tudo muito superficial. 

O Compreender… Ó utópica compreensão

como és espelho e refletes o oposto do real.

É incrível como todo o espelho não mostra a verdade irrefutável  de mim.

Refletes… a tua função é refletir.

Mas és tão doloso, mas não transcreves o que vi.

 

Ouvir, não é escutar.

Perceber, não é apreender.

E por sua vez,

Confiar, nunca poderia nem deveria ser incumbir.

 

Incumbir não é entender. 

Não é aceitar como parte. Não é ver as perfeições imperfeitas de mim.

Sou imperfeitamente perfeita e devia ser, sem sentir, que é intrínseco o erro a mim.

  • Autor: Aurora Hortense (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de julho de 2026 16:46
  • Comentário do autor sobre o poema: Porquê?!
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: Aurora Hortense.


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