Lembro-te

Ricardo Maria Louro



Lembro-te  ...

Lembro-te com o doer da velha infância, 
as horas tristes com a cabeça reclinada 
no teu colo ...

Lembro-te quando me penteavas o cabelo
com os dedos e me afagavas o rosto,
horas solenes de puro amor ...

Lembro-te com o coração  aos saltos 
pensando em mim
em tantos momentos da minha pequenez...

Lembro-te vestida de Sol, calçada de Fé,
vestida de Madrugada , 
reflectindo a Lua-Cheia no olhar...

Porém ...

Lembro-te calada e inerte, fria, sem expressão 
num ataúde aberto, fechada num caixão!
E quem viu, ainda sente, fiquei sem Alma. 

Lembro-te e hei-de lembrar-te sempre!


(Versos aos 22 meses sobre a sua partida, sobre tão doloroso afastamento.  Querida Avó Clarisse)



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