Eu não sei exatamente em que momento o vazio começou a ganhar forma.
Talvez tenha sido no primeiro “boa noite” que não veio,
ou na primeira vez que eu peguei o celular e precisei aceitar o silêncio.
Eu tirei a minha armadura por você.
E isso não é pouca coisa.
Passei tanto tempo aprendendo a ser forte, a não demonstrar, a sobreviver…
que quando eu finalmente baixei as defesas, foi porque achei que ali era seguro.
Achei que ali eu podia descansar.
Mas você atirou mesmo assim.
Talvez sem intenção. Talvez sem perceber.
Só que quando a gente está sem proteção, qualquer gesto vira ferida.
Eu não te culpo.
Sempre soube que você tinha dificuldade de ficar.
Você é desses que encantam, que aquecem, que fazem a gente acreditar que finalmente encontrou abrigo.
Mas abrigo de verdade não vai embora quando a tempestade começa.
O que eu não previ foi que a saudade seria tão insistente.
Ela não diminui com o tempo.
Ela se instala.
Ela mora no espaço ao meu lado na cama.
Mora na ausência da sua mensagem.
Mora no jeito que eu ainda comparo todo mundo com você, mesmo sem querer.
E o mais difícil de admitir é que eu não sinto falta só de você.
Eu sinto falta de quem eu era quando estava com você.
Da versão de mim que acreditava que, dessa vez, alguém ficaria.
Eu sigo.
Eu sorrio. Eu cumpro meus dias.
Mas em algum lugar muito íntimo dentro de mim,
ainda existe um espaço com o seu nome.
E talvez essa seja a parte que eu nunca vou te contar.
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Autor:
May Darlin (
Offline) - Publicado: 17 de julho de 2026 11:38
- Categoria: Triste
- Visualizações: 2

Offline)
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