Nas Frestas

Francisco Queiroz

Flores pelas calçadas,

vejo várias, lindas,

em canteiros ornados,

mimadas com adubo,

regadas de zelo.

 

Mas o meu coração se ilumina

quando as vejo desabrochar

no improvável, na dureza

das frestas do concreto.

 

Sem nada a favor,

sem amanhã certo,

expressam com fervor

a sua natureza.

 

Beleza é o que vejo:

nas ruas,

nos muros,

nas sarjetas.

 

Não se detêm,

nem se deixam levar

pelas condições

severas...

 

E duram o tempo

que lhes dão.

Pois às vezes são

levadas pelas mãos.

 

E vão parar nos cabelos

das meninas,

outras, na fogueira

junto às folhas,

e algumas vão morar

nos canteiros.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 15 de julho de 2026 13:33
  • Comentário do autor sobre o poema: Sobre a delicada teimosia de florescer.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Jcosta.
  • Em coleções: Naruteza.
Comentários +

Comentários1

  • Jcosta.

    Eita, aqui no sitio, estamos precisando de jardineiros, poetas o esfomeado costuma botar para correr.
    Diz ele que um poeta já e o bastante para encher o saco.
    Risosss.
    E por isso que subo para o telhado, quando as sardinhas estão fritas.
    Muito bom o seu dito.
    Abraços.
    JCOSTA

    • Francisco Queiroz

      O meu aqui sabe subir escada melhor do que eu, não adianta mais me esconder no telhado. O velho terminou o tal do pergolado, mas tá meio aziado, disse que não ficou como ele queria... Obrigado pela leitura, amigo! Abraços



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