E essa talvez seja a culpa que carregarei
mesmo que o tempo embranqueça meus cabelos.
Você encontrou um homem
que sorria enquanto afundava,
que fazia piadas para esconder o medo,
que abraçava os outros
porque já não sabia como abraçar a si mesmo.
Perdão.
Perdão por ter deixado você amar
alguém que ainda estava em guerra consigo.
Você merecia encontrar um homem inteiro.
Eu apareci em pedaços.
Mesmo assim...
você fez da minha bagunça um lugar menos frio.
Fez meu coração acreditar,
por alguns instantes,
que talvez eu também pudesse ser escolhido.
E fui feliz.
Talvez menos do que deveria.
Talvez mais do que imaginei merecer.
Sei que, quando tudo isso passar,
a dor das nossas cicatrizes falará mais alto
do que todas as flores que tentei plantar.
Talvez esqueçam meus acertos
e se lembrem apenas do dia em que minhas mãos
já não conseguiram segurar as suas.
É justo.
Mas existe uma coisa
que nem o orgulho,
nem a distância,
nem o silêncio conseguirão apagar.
Até minha última célula
vai pronunciar o seu nome
como quem faz uma oração.
Porque algumas pessoas
não vão embora do coração.
Elas apenas aprendem
a morar na saudade.
Se um dia você pensar em mim,
não se lembre apenas do homem inseguro.
Lembre-se daquele que olhava para você
como quem finalmente encontrava um lar.
E, se existir alguma bondade escondida
nos caprichos do destino,
espero que ele nos faça tropeçar um no outro outra vez.
Não para repetir os mesmos erros.
Mas para que você conheça
o homem que eu deveria ter sido
desde o primeiro abraço.
Se esse dia nunca chegar...
prometo continuar vivendo
com a esperança silenciosa
de que, em alguma esquina do tempo,
você descubra que nunca deixou de ser
o amor mais sincero
que este coração,
tão cansado,
foi capaz de oferecer.
Por Freddie Seixas
-
Autor:
Freddie Seixas (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 12 de julho de 2026 22:45
- Categoria: Carta
- Visualizações: 1

Offline)
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