Busco um reflexo transparente.
Não nasce no jardim de casa.
Os pés sufocam nos sapatos.
Ânsia antiga. Mania louca. Inútil.
As mãos tentam agarrar o vento.
Ele passa, toca, espera.
É só ar.
No mercado, pergunto o que trazer.
Talvez um gole de sossego,
um soco seco no estômago,
os olhares me pesam como um travesseiro velho
a molhar o pijama.
Não. Sim.
Compra um pirulito que cospe, mulher.
Preciso da chuva fria
para as plantas não sentirem frio.
O reflexo transparente está lá, olhando,
conversando coisas bobas
com os outros reflexos que não me olham.
E os pés continuam calçados.
As mãos, vazias.
O dia, indiferente.
E a chuva cai sobre a gente.
Quase nada
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de julho de 2026 16:37
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
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