A certeza de um alguém
Há pessoas que chegam como quem pede licença. Não fazem barulho. Não prometem eternidades. Apenas se sentam na varanda da nossa alma e, sem percebermos, reorganizam a bagunça que o tempo fez.
A vida nos ensina a desconfiar. Depois de algumas tempestades, passamos a olhar para o céu esperando sempre o próximo trovão. Esquecemos que também existem manhãs.
Mas a certeza de um alguém não nasce das palavras bonitas. Nasce da permanência. É aquela presença que não precisa provar nada. Está ali. Como as árvores que não anunciam suas raízes e, ainda assim, atravessam os invernos.
Há um tipo de amor — não apenas o amor entre duas pessoas, mas o amor que habita toda verdadeira amizade e todo cuidado — que se parece com uma lamparina. Não ilumina o mundo inteiro. Ilumina só o suficiente para que o outro não tenha medo do próximo passo.
Talvez seja isso que chamamos de certeza: alguém que transforma a ideia de abrigo em pessoa. Alguém cuja existência nos devolve a coragem de acreditar que nem toda despedida é destino.
No fim, descobri que a felicidade não mora nas promessas. Mora na calma de saber que, em algum lugar deste imenso mundo, existe alguém que faz o coração descansar. E quando o coração descansa, até o silêncio aprende a florescer.
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Autor:
Brunna Keila (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de julho de 2026 00:56
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 2

Offline)
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