há coisas que não aprendem a partir
Não acontece de uma vez.
Nenhum instante anuncia
que deixou de ser o mesmo.
É sempre um deslocamento discreto,
como a claridade
que abandona um cômodo
sem que alguém perceba
o momento exato.
Há dias
em que tudo permanece intacto.
Os nomes.
Os caminhos.
A disposição das coisas.
Ainda assim,
alguma delicadeza
já não habita o lugar.
Talvez seja isso
o que chamam de tempo.
Não a sucessão dos dias,
mas a lenta substituição
daquilo que parecia permanente.
Existe uma espécie de silêncio
que não nasce da ausência.
Nasce do excesso.
De tudo aquilo
que continuou existindo
mesmo depois
de perder o significado.
É estranho.
O mundo nunca pede licença para continuar.
Só segue.
Enquanto alguma parte de nós permanece imóvel,
tentando descobrir
em que instante
aquilo que um dia foi casa
deixou de reconhecer
quem voltou.
-
Autor:
M.V 🥀 (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 7 de julho de 2026 00:51
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.