A Dentadura de Waterloo
Em Waterloo choveu ferro e silêncio.
Caiu rei, caiu cavalo, caiu nome.
E no barro, entre gritos e esquecimento,
caiu também um sorriso.
Não era de vitória.
Era dente solto, osso frio,
um riso que não deu tempo
de nascer no lábio de um filho.
A guerra mastigou os homens.
E depois, sem pudor,
mastigou de novo:
transformou morte em ornamento.
Lá na cidade, a madame rica
riu num baile de veludo.
Não sabia que naquele brilho
morava um grito mudo.
Ó Waterloo, campo sem flor,
onde até o riso virou espólio.
A coroa fugiu em fuga.
A dentadura ficou no solo.
E hoje, quando alguém sorri largo,
sem saber de onde vem a luz...
pode ser que naquele riso
haja saudade que a guerra seduz.
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de julho de 2026 18:00
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 1

Offline)
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