Frisson

Freddie Seixas

Deitado, os olhos pregados no teto como quem procura respostas nas rachaduras do próprio quarto.
Mas tudo o que encontro é você.
A mulher que fez em poucos instantes o que uma vida inteira jamais conseguiu fazer.
Não foi só pele...
Foi aquele arrepio que nasceu na nuca, desceu pela espinha e transformou o silêncio na mais forte das tempestades.
Passei tantos anos acreditando que exageravam quando falavam de desejo, de química, de perder o rumo.
Até você aparecer...
E agora me pergunto, com um gosto amargo escondido na boca, quantos outros também conheceram esse sorriso lindo, esse quadril desenhando promessas, esse rebolado que parecia desafiar biomecânica do movimento e até a própria gravidade.
O ciúme é estranho, não tenho controle.
Não nasce do que aconteceu comigo,
nasce da ideia de que alguém, em algum lugar, também fechou os olhos lembrando exatamente da mesma mulher que tanto desejo.
Isso me corrói.
Porque, entre tantas, você continua sendo o único pensamento que visita minhas madrugadas.
Meu corpo lembra. Minha memória insiste em não ser apagada.
Mas, curiosamente, não foi só o calor que ficou.
Foi o vazio que você deixou quando foi embora.
Você incendiou meus pensamentos, mas foi meu coração que aprendeu a queimar.
E toda noite, quando o quarto escurece, eu volto a conversar com o teto, esperando que o tempo apague o gosto da saudade.
Mas ele nunca apaga.
Ele apenas aumenta o frisson de imaginar seu sorriso se aproximando, seu perfume vencendo a distância, seu quadril dançando outra vez como quem conhece exatamente o caminho até minha paz.
Talvez seja loucura.
Talvez seja desejo.
Ou talvez existam pessoas que passam pela nossa vida apenas para nos ensinar que existe um tipo de saudade que arrepia a alma inteira, que contém nome, cheiro e uma beleza sem igual...

 

Por Freddie Seixas 

  • Autor: Freddie Seixas (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de julho de 2026 15:27
  • Comentário do autor sobre o poema: Impossível te esquecer!
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 3


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.