No silêncio do quarto onde o bipe ressoa, O palhaço entra de leve, a piada ecoa. Ele traz o nariz vermelho, a linha de giz, Pronto para fazer aquela criança feliz.
O olhar do menino, tão frágil e cansado, Ganha um brilho miúdo com o laço desajeitado. A menina sorri, esquece a dor por um segundo, Enquanto o palhaço cria um novo mundo.
Mas por trás da piada, do tombo, do riso aceito, Há um nó apertado batendo no próprio peito.
Ele engole o choro ao ver a agulha e o soro, Transforma o cansaço em seu maior tesouro. Brinca com a vida onde a fragilidade mora, Dando a alma inteira para quem sofre agora.
Quando o dever termina e ele cruza o corredor, O palhaço desaba com o peso daquela dor. No banheiro do hospital, longe de qualquer olhar, O homem limpa a tinta e desata a chorar.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Offline) - Publicado: 5 de julho de 2026 10:34
- Categoria: Não classificado
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