Outono de 1786
Houve um outono que nunca terminou por completo.
As folhas douradas caíram sobre caminhos esquecidos,
e o vento levou consigo promessas
que apenas as árvores conservaram.
Diziam que duas almas haviam passado por ali.
Não deixaram nomes.
Não deixaram retratos.
Somente a lembrança de passos
que a terra se recusou a apagar.
Os anos caminharam.
Os rios mudaram de curso.
As casas tornaram-se ruínas.
Os sinos tocaram para outras gerações.
Mas havia algo que o tempo não conseguia levar.
Toda primavera,
uma única roseira florescia junto ao velho carvalho.
Ninguém a havia plantado.
Ainda assim,
ela insistia em nascer.
Os mais velhos sorriam em silêncio.
"São as almas que regressam",
diziam baixinho.
Não para reviver o passado,
mas para lembrar que o amor verdadeiro
não conhece calendários.
O inverno pode adormecer os campos.
O outono pode vestir o mundo de despedidas.
A chuva pode apagar pegadas.
Mas existe uma estação
que nunca abandona aqueles que amaram com verdade.
A primavera.
Ela permanece escondida
sob a terra fria,
dentro das sementes,
na memória das flores
e no coração das almas
que atravessaram o tempo.
Talvez seja esse o maior segredo da existência:
Nenhum amor sincero desaparece.
Ele apenas espera,
com a serenidade das árvores antigas,
até que outra primavera
volte a florescer.
E quando as primeiras pétalas se abrirem ao amanhecer,
quem souber escutar o vento
ouvirá dois corações antigos
sussurrando entre as flores:
"A primavera ainda está aqui."
— Juliana Hoffmann Liska
-
Autor:
Jullyne and Jully (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 4 de julho de 2026 19:38
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Em coleções: POESIAS D\'Mundo.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.