Peneiras

Francisco Queiroz

De pé, caí nas palavras.

Tropecei, a princípio, nas ideias.

Compreendi com lastro em mim.

 

Perdi por preconceitos e preferências.

 

O arrependimento é bebida amarga.

Seu efeito vem, tomado com compromisso,

em não ter resposta pronta para tudo.

 

De tudo, sobra o pouco

necessário nas peneiras:

uma no ouvir, outra no falar.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de julho de 2026 16:35
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrevi lembrando o quanto erramos por sermos reativos nas conversas. Uma vez li sobre as três peneiras de Sócrates, recomendadas justamente para esse tipo de situação. Dizem que o filósofo, antes de ouvir qualquer notícia, pedia que ela passasse por três peneiras: primeiro, a da Verdade — é certo o que se conta? Depois, a da Bondade — traz algum bem? Por fim, a da Necessidade — é útil saber disso? Se não fosse verdadeiro, nem bom, nem necessário, melhor seria o silêncio.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 16
  • Em coleções: Silêncios.
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Eita, por aqui e o contrário, o caldo só passa por uma peneira que não e a do Sócrates e sim da moenda.
    Depois de fermentado e só mandar para o alambique depois e só subir para o telhado, bebendo e contando estrela.
    Abraços amigos.
    Apegaua

    • Francisco Queiroz

      Boa, e rapadura? Aqui tem que moer a cana no braço, depois de colocamos gelo e um limão cascudo, não dá tempo de fermentar, bebemos para refrescar o cansado...

      Abraço, Apegaua



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