AH...A LUA

Maximiliano Skol

Ah... A lua
Vi-te uma vez há tanto tempo...
Era meu aniversário.
Estavas a pino.
Ao teu lado um estrela tinhas por companhia
(Nunca mais a vi).
Era  algum  planeta.
Por que nenhum deles é tua companhia este ano?
O que me diria hoje o planeta?
Que benção dele me atingiria?
Eu lembro exatamente igual hoje
Que és lua a pino outra vez,
Como diferente eu era então.       
E brilhas igual.
A tua claridade avança na escuridão da minha memória,
Resplandece no poente dos meus dias.
Cujo negrume hoje me aterra:
Falta-me a minha própria sombra,
O copo vazio pede socorro
Cerca-me uma rotatória sem via de saída.
E como brilhas.
Esse esplendor me traz à memória lembranças esquecidas,
Que me atingem tão claras
E vêm magoadas pela saudade.
A solidão da tua luz é-me companhia hoje.
Não há nuvens,
E o silêncio no baço firmamento estão contigo.
Esse silêncio ecoa na minha alma, 
A alma dói, esta noite me dói.
Ele imita quase eterno quando percebo o sopro tênue dos meus dias.
E sinto-me indizível
Com a sensação funérea do existir.
E um adeus de mim se faz presente
—É meu aniversário.

Tangará da Serra, 30/06/2026

  • Autor: Maximiliano Skol (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de julho de 2026 01:09
  • Categoria: Ocasião especial
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz
Comentários +

Comentários2

  • Francisco Queiroz

    Bravíssimo,
    Uma obra de arte...

    Um abraço, nobre Poeta!

    • Maximiliano Skol

      Gratidão, prezado Francisco, pela visita e precioso comentário.
      Fraternal abraço.

    • Shmuel

      Grande poeta Maximiliano Skol!

      A virada do poema ocorre quando a luz da lua atinge o "poente" da vida do eu lírico, revelando um cenário de desolação interna através das metáforas da angústia existencial.
      Muito bom ler teus poemas. abraços!

      • Maximiliano Skol

        Oh, meu querido Shmuel, quão feliz eu sinto com a sua visita. Saudades, meu amigo.
        Afetuoso abraço.



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