Seu Ernesto e suas brigas

José Vagner

Tava lá no bar do xote

Eu e o coroné manué

Lorota vai Lorota vem

Na vontade resorvemo pedi um mé

 

Quando penso que não

Ouço um bater de chinelinha

Batendo o pé birrento

Naquela soleira tão velhinha

 

Por um bocado de curiosidade

Olhei de lado um instante

Que bela surpresa

Era o seu Ernesto 

Velho das histórias fantasiosas

Que parou e disse um momento

 

- Vagner compadre, meu amigo

Me dói muito uma coisa

Perdi a chave do meu barraco

E minha muié jurou mim dá uma pisa

 

Eu respondi pro velho

 

Seu Ernesto

Vancê é um grande amigão

E por ter respeito a vossa pessoa

Nesse caso não me meto não

 

Lembra da vez que levei uma sopa

Por conta do cavalo seu

Que eu por besteira minha

Disse que o quadrúpede era meu

 

E da vez em que chegasse em casa bebo

Chegou lá em casa você e sua muié

Ela perguntou se vancé tava aqui

E minha muié disse que ocê tava num cabaré

Tumemo uma feia surra

Que quase nós fiquemo pra morre

 

Por isso seu Ernesto

Meu amigo, até lhe ofereço um mé

Mas pra se meter nos seus problemas

A resposta e só uma que se dê...

 

Nas brigas de seu Ernesto e vossa muié

Nem eu nem a turma do bar so xote

Nós não mete nem mais a colher

 

  • Autor: José Vagner (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de julho de 2026 22:23
  • Categoria: Humor
  • Visualizações: 2
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