Na penumbra onde o bom senso esmaece,
Inicia-se o concerto da carne em desalinho,
Teu corpo é a partitura que minh’alma conhece,
Dedilhada com a urgência de um fogo divino.
Deslizam dedos por tuas colinas de marfim,
Vertentes suaves onde o toque se faz prece,
E de teus lábios, num sussurro de cetim,
Brota a primeira nota que o ar aquece.
É um timbre grave, suspiro contido e profundo,
Quando minha boca busca o teu centro sagrado,
Onde a linfa secreta da vida inunda o mundo,
E o eco de Vênus desperta o templo sagrado.
Majestoso crescendo que a noite consagra,
Tua espinha arqueia, qual arco de violino,
À medida que a rítmica busca nos sagra,
E o atrito sagaz dita o nosso destino.
O som que emanas já não é mero sopro,
É um lamento sublime de entrega e torpor,
Um agudo cristalino, de pudores o estupro,
Que celebra a apoteose do nosso furor.
Unem-se os fluxos em compasso acelerado,
Na cadência perfeita de um transe carnal,
Teu gemido final, em tom sacro e profano,
É o ápice lírico do nosso ritual.
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 29 de junho de 2026 12:33
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 35
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua, Feiticeira, Michel F.M.

Offline)
Comentários3
Pra lá do paraiso, para não espantar Eva e Adão.
Como sempre, o mestre poeta, com garras de ouro a publicar tamanho tesouro.
Parabéns, quem sabe faz na hora.
Ficar bem.
Apegaua
Que poema retratando o encontro íntimo não apenas como um ato carnal, mas como uma obra de arte sinfônica, onde o prazer, o som e o toque se fundem em um ritual sagrado de entrega mútua, perfeito Versos discreto, Parabéns, S2.
Feiticeira sz
Fomos brevemente, uma questão de eternidade
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