Querido Amor,
Aqui começo esta carta,
Usando a pouca coragem que ainda restou,
Tremendo a mão ao segurar a caneta.
A letra tenta te demonstrar que acabou.
Esse papel aqui é o que menos importa.
Foi improviso, usei uma folha qualquer.
A folha é simples, e minha escrita sai torta,
Mas ser perfeita já não faz diferença sequer.
Hoje gostaria de escrever dos meus sentimentos,
Mas, afinal, o que escrevo é sentido também.
Eu reuni toda a minha força por dentro
Só pra chegar ao lugar que a fala não tem.
Você, um dia,
Foi minha presença tranquila,
Foi meu abrigo,
Foi meu amigo e flavor,
A sensação de adoçar com delírio,
Condensar tudo em finos tratos de amor.
Daí vieram, então, dias cotidianos.
Passava o calendário, me percorrendo menor,
Ardendo em medo. Jamais pensei: "Nós erramos."
Olhando agora, não havia um "nós" ao redor.
Aqui recordo a nossa noite passada:
Você dormindo, e eu bem ao lado, sem toque.
Mais uma noite com frio, triste e acordada,
Já sem esperança que minha presença o acorde.
Mas tudo bem, eu já andava pensando.
O fim de tudo, nós já sabemos qual é.
Querido amor,
Eu sei que estive adiando
Esse meu adeus,
Te escrevi numa folha qualquer.
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Autor:
MihSil (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de junho de 2026 14:21
- Comentário do autor sobre o poema: Algumas despedidas precisam acontecer oficialmente. Sua intuição sempre vai mostrar algo, apenas ouça o que dizem em detalhes. Você pode recomeçar, não precisa ser no mesmo lugar, mas até que encontre seu abrigo, não desista de si.
- Categoria: Amor
- Visualizações: 11
- Em coleções: Entre, PrimeiraMente!.

Offline)
Comentários3
Belo poema!!!
SERGIO NEVES - ...pois é, minha amiga...,...é como sempre diz o Armandinho, simpático e sábio gari aqui das redondezas: "...que seja eterno enquanto dure"...,...e que desse teu "enquanto durou" se eternize ao menos boas lembranças...,...creio que assim seja, pelo todo sentimento havido nessas tuas letras...,...uma "carta" pra lá de poética e emotiva... /// Carinhos a ti.
O texto reflete a constatação de que o amor se transformou em distância e silêncio.
Abraços
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