Não desistir do objetivo... Durante anos eu repeti essas palavras como quem faz um juramento diante do espelhp.
Eu acreditava que vencer era levantar antes do sol, trabalhar até o corpo implorar descanso, engolir o orgulho, suportar a fome, e continuar caminhabdo.
Eu dizia que a glória não aceitava atalhos...
Mas um dia a vida apertou...
As contas chegaram antes dos sonhos. O tanque ficou vazio. Os bolsos também.
E foi nesse silêncio, entre o homem que eu queria ser e o homem que eu precisava sobreviver, que comecei a negociar meus próprios princípios.
Nenhum desvio acontece de uma vez.
Primeiro a consciência sussurra. Depois ela grita. Até que, um dia, o barulho da necessidade parece mais alto que a voz da própria alma.
Foi assim que me perdi.
Não porque deixei de amar a honestidade.
Mas porque, por alguns instantes, acreditei que ela jamais me levaria a lugar algum.
Hoje percebo que o dinheiro ganho sem honra nunca pagou o preco da paz.
As escolhas erradas passaram. As consequências ficaram.
E o espelho... ah o espelho nunca mente.
Mas existe uma verdade que também aprendi no caminho:
Quem se perdeu não está condenado a permanecer perdido.
Sempre existe uma estrada de volta.
Ela não é rápida. Não é fácil. Não devolve o tempo desperdiçado.
Mas devolve algo muito maior:
O respeito por si mesmo.
Hoje eu ainda trabalho demais. Ainda sinto medo. Ainda passo por dias em que parece que o mundo inteiro corre enquanto eu apenas sobrevivo.
Mesmo assim...
Prefiro chegar por último com as mãos limpas do que vencer primeiro carregando um peso que dinheiro nenhum consegue aliviar.
Porque a verdadeira glória nunca esteve na velocidade da chegada.
Ela sempre esteve na coragem de percorrer o caminho inteiro.
-
Autor:
Freddie Seixas (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de junho de 2026 11:37
- Categoria: Carta
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.