Cansado, quase não tenho palavras,
ainda sobrou um pouco de coragem
para escrever um pequeno desabafo.
Sinto o gosto variado da vida.
Tento me apegar ao que há de bom
mas logo me escapa.
O amargo virar doce
e o doce virar amargo.
Tudo que se tenta livrar,
permanece mais um pouco.
Esta manhã mesmo
tomei um gole de um livro,
falava de um tal de Sísifo,
me identifiquei.
Não sei ele,
mas na minha descida
eu aprecio a vista.
Enquanto me alimento
do que a pedra
ladeira abaixo derrubou:
ora mangas,
ora limões.
E no final da descida
apreciando ou não
só nos resta é subida.
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Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de junho de 2026 22:37
- Comentário do autor sobre o poema: Sigo pensando na vida e no cotidiano, correspondo-me comigo mesmo através da poesia. A vida é ganha com um trabalho, à primeira vista, mecânico. Apesar de as duas mãos estarem ocupadas rolando a pedra morro acima, a audição, a visão e o olfato continuam a tatear a vida, rotineiramente irrepetível. Na descida, as mãos estão livres. Então, mesmo exausto, sobra-me alma para escrever poesias. Não há heroísmo, apenas apreciações e desabafos, o doce e o amargo, a dualidade.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Em coleções: Naruteza, Silêncios.

Offline)
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