ARMADILHAS DE CACHOS

FELÍCITY_POETA


Meus cachos são armadilhas. Cada volta esconde um pecado que você vai querer cometer
Não é só o cabelo que enrola. É o teu juízo quando me olha
Fio por fio eu carrego história que o tempo não conseguiu desfazer
Raiz crespa, alma antiga, aprendi a renascer
Quando o mundo pede pra baixar, meu volume aprende a crescer
Sou labirinto, sou reza, sou nó que insiste em florescer
Teu olhar tropeça em mim e esquece como é viver
Porque amar o que é livre dá medo de se perder
Mas se cair, que caia fundo, sem medo de sofrer
Meu riso é volta, meu beijo é laço, meu nome é pra sempre
E se duvida, chega perto: cacho prende, alma prende, coração prende !


Mas o que prende também desprende —
desata o que você achava ser certo,
reata o que o medo desfez.
Cada volta que aperta
é um nó que pergunta:
"Você ainda quer ficar?"
E quem fica descobre
que o labirinto não é prisão —
é apenas outra forma de amar.


Cachos de cabelos que se prendem e desprendem,
como ondas livres no mar da imaginação.
Às vezes repousam tranquilos,
às vezes seguem o vento sem direção.
São fios que guardam histórias,
segredos que o tempo não contou.
Brincam com a luz da manhã
e com o entardecer que chegou.


O quão pode estar em admiro adverso,
Que pensar no mesmo conto permitido,
Rever as sob as linhas as quais contexto,
Todo meu ego não puramente refletido,
Vai em seus cabelos, com todos fios converso,
Tendo eles o mesmo raro brilho,
O que foi este ecrito adverso,
Nunca ter mesmo ficar fora de seu conflito,
E contar a cada espaço de verso,
Todo ele totalmente resumido,
Deixar cada espaço mais perplexo,
Em adiantar lhe dar um sorriso mais bonito.