No silêncio final do cosmos,
a última estrela vai hesitar.
Um último sopro de luz vermelha,
antes de o breu tudo reinar.
O tempo, cansaço feito poeira,
já não tem o que mensurar.
E nesse vazio absoluto,
na noite que não tem fim,
nasce a pergunta ecoando no escuro:
O universo surgiu assim? Do nada mais puro e profundo,
brotou o começo de tudo em mim?
Pois se o nada é o berço do espaço,
e o vazio é o pai do trovão,
quem garante que este cansaço
não seja apenas gestação?
Se do zero a faísca se fez,
o vazio não é solidão;
é força que gera outra vez,
em eterna e sutil mutação.
Eis o loop, a prisão soberana:
se o nada já teve o poder
de erguer a comédia humana,
quantas vezes voltou a nascer?
Estamos presos na engrenagem
de um ciclo que não vai parar?
Esta mesma exata passagem,
este mesmo olhar...
Repetido por toda a eternidade,
toda vez que a última estrela se apagar.
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Autor:
Poesia Abandonada (
Online) - Publicado: 22 de junho de 2026 16:49
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Online)
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